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Comissão da Câmara debate proibição de acesso de menores às redes sociais em projeto de lei

Redação
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Comissão da Câmara debate proibição de acesso de menores às redes sociais em projeto de lei
Comissão da Câmara debate proibição de acesso de menores às redes sociais em projeto de lei
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Comissão de educação da Câmara avaliou proposta que restringe o uso de redes sociais por menores de 16 anos.

A Comissão de educação da Câmara dos Deputados discutiu, nesta terça-feira (7), o projeto de lei PL 94/26, que prevê a proibição do acesso de menores de 16 anos às redes sociais. A proposta foi apresentada pela deputada Greyce Elias (PL-MG) durante sessão na Câmara em 07/07/2026 – 21:37 e justifica a medida como forma de proteção integral de crianças e adolescentes diante de conteúdos nocivos, cyberbullying, assédio, exploração sexual, discurso de ódio e algoritmos que incentivam o uso excessivo das plataformas.

Argumentos da autora e referência ao ECA Digital

A deputada Greyce Elias afirmou que a medida é um aperfeiçoamento do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei 15.211/25), em vigor desde 2025, e defendeu o combo entre restrição de acesso e reforço da educação digital para jovens e responsáveis. Segundo ela, fatores apontados no projeto estariam ligados a sintomas como ansiedade, depressão, isolamento social e ideias suicidas entre jovens.

Greyce Elias disse que a proposta visa proteger faixas etárias em que existe presunção legal de vulnerabilidade, e que a proibição deve caminhar paralelamente à formação digital de pais e alunos.

Argumentos jurídicos e educacionais

A procuradora-geral do Distrito Federal, Diana Ramos, citou noções de incapacidade absoluta previstas no Código Civil (Lei 10.406/02) e afirmou que a Lei 15.100/25, que restringiu celulares nas escolas, resultou em maior aprendizado e em mais interação social entre alunos. Diana Ramos também ressaltou que o projeto não impede a educação digital, mas proíbe o acesso a redes sociais na chamada idade da incapacidade absoluta.

De acordo com Ana Fabbro, coordenadora de educação digital, inovação e conectividade do Ministério da educação, 92% das escolas já aplicam restrição de celulares e 97% concordam que o uso pedagógico de tecnologias digitais amplia a participação dos alunos.

A proposta prevê, ainda, penalidade financeira para descumprimento: multa de até R$ 500 milhões às plataformas que não observarem as restrições previstas.

Experiência internacional e posicionamentos contrários

Defensoras da medida lembraram experiências recentes no exterior: desde 2025 a Austrália impôs limite de idade, Portugal proibiu o uso para menores de 13 anos e exigiu consentimento dos pais até 16 anos, e o Reino Unido aprovou proibição para menores de 16 anos com vigência a partir de 2027. França e Estados Unidos ainda analisam medidas similares.

Por outro lado, o Conselho Digital, que reúne plataformas como Google, Discord, Meta, TikTok, Uber e Amazon, apontou possíveis efeitos colaterais. A diretora de relações institucionais do conselho, Roberta Jacarandá, citou o caso australiano e alertou que, conforme dados trazidos ao debate, 85% dos jovens entre 12 e 15 anos continuaram acessando redes sociais por perfis falsos, contas de adultos ou por VPN, o que tornaria a experiência invisível ao sistema e potencialmente menos segura.

Rodrigo Nejm, do Instituto Alana, defendeu fiscalização robusta do ECA Digital combinada com educação digital crítica e sugeriu ouvir crianças e adolescentes para construir alternativas à exposição nas plataformas.

Ações complementares e previsão do governo

Renato Oliveira, coordenador de acompanhamento regulatório de telecomunicações do Ministério das Comunicações, informou que o Plano Nacional de Inclusão Digital (PNID) está em elaboração e deve ser publicado até o fim do ano. Ele destacou que o letramento digital é fundamental para capacitar jovens a usar tecnologias de forma segura e crítica, como complemento às restrições previstas no projeto.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

Assuntos nesse artigo:
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