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Fiagros devem seguir exigências de transparência e controle socioambiental, defendem especialistas em audiência na Câmara

Redação
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Fiagros devem seguir exigências de transparência e controle socioambiental, defendem especialistas em audiência na Câmara
Fiagros devem seguir exigências de transparência e controle socioambiental, defendem especialistas em audiência na Câmara
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Especialistas pedem que Fiagros adotem transparência, rastreabilidade e controle socioambiental conforme normas do crédito rural público, em audiência realizada na Câmara dos Deputados.

Especialistas defenderam nesta terça-feira (30/06/2026 – 14:39) que os fundos de investimento nas cadeias agroindustriais (Fiagros) passem a cumprir exigências de transparência, rastreabilidade e controle socioambiental semelhantes às adotadas no crédito rural público, durante audiência da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. A discussão ocorreu em meio ao crescimento dos Fiagros e à demanda por regulamentação para evitar financiamento a atividades vinculadas a desmatamento e outras infrações.

Expansão dos Fiagros

O professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Sérgio Pereira leite, afirmou que, embora os Fiagros ainda representem uma parcela pequena dos recursos movimentados pelo Plano safra, o volume de operações desses ativos cresceu 1.641% entre 2022 e 2026, conforme dados do Ministério da agricultura. Segundo leite, o mercado reúne atualmente mais de 200 operações — entre fundos em funcionamento, encerrados e não efetivados — mas ainda falta transparência. “É preciso construir um nível de transparência e accountability do funcionamento desses fundos para que a sociedade e o Estado tenham um controle maior sobre o que está sendo transacionado e quais são os impactos sociais, econômicos e ambientais desses investimentos”, disse.

Falta de transparência

O secretário-executivo da organização Repórter Brasil, Marcel Gomes, relatou que investigações identificaram um Fiagro que destinava parte dos recursos captados a um grupo do agronegócio de Mato Grosso ligado a infrações ambientais. Ele acrescentou que, mesmo após o grupo entrar em recuperação judicial, o fundo permaneceu entre os mais valorizados do mercado no período. “Esse tipo de distorção exige mais clareza sobre a origem do lastro dos títulos e sobre a destinação dos recursos captados, para que os investidores possam fazer uma avaliação adequada dos riscos”, afirmou.

Regras para o mercado privado

O deputado Nilto Tatto (PT-SP), autor do requerimento para a audiência, lembrou que o crédito rural concedido pelo Plano safra já está sujeito a normas do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional que impedem, por exemplo, financiamento a responsáveis por desmatamento ilegal, ocupantes irregulares de terras públicas e empregadores responsabilizados por trabalho análogo à escravidão. Na avaliação do parlamentar, é preciso adotar essas exigências aos ativos privados. “Existe um vácuo enorme no mercado de capitais privados: os Fiagros, os CRAS, as LCAs e os CDCAs movimentam centenas de bilhões de reais sem as mesmas restrições socioambientais”, ressaltou.

Para o procurador do Ministério Público Federal Ricardo Negrini, as operações com fundos privados deveriam passar por controle permanente. “Quanto maior a transparência, maior a possibilidade de os investidores medirem seus riscos. O capital privado precisa ter o mesmo rigor, transparência e responsabilidade exigidos para o crédito público”, defendeu.

Propostas de aprimoramento

A diretora de Estratégia do Instituto Dados, Maria Eduarda Sena Muri, destacou mudanças na regulamentação dos Fiagros para ampliar a transparência, entre elas a identificação do devedor final e dos riscos socioambientais desse tipo de investimento. “O mercado não consegue precificar o que a regulação não obriga a enxergar”, afirmou.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Roberto Seabra

Assuntos nesse artigo:
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