Especialistas ouvidos pela Rádio Câmara apontam desafios em infraestrutura, economia e cultura para os eleitos em outubro.
Os eleitos em outubro vão assumir seus mandatos com desafios que atravessam diferentes áreas do país, entre elas infraestrutura, economia e cultura, segundo especialistas ouvidos pela Rádio Câmara na série especial do programa Painel Eletrônico. Brasileiros vão às urnas no próximo domingo (4) e os candidatos precisam apresentar propostas que indiquem a priorização de recursos públicos e a capacidade do Estado de atrair investimentos.
infraestrutura
Conforme o consultor legislativo da Câmara dos Deputados Alessandro Reichert, a baixa capacidade de investimento público é o principal gargalo do setor. Dados da Associação Brasileira de infraestrutura e Indústrias de Base apontam que os investimentos em infraestrutura alcançaram cerca de R$ 280 bilhões no ano passado, o maior volume desde 2010, mas equivalem a aproximadamente 2% do PIB, enquanto o setor indica necessidade de, pelo menos, o dobro desse montante.
Reichert ressalta que, desses R$ 280 bilhões, 80% são de recursos privados, captados no mercado ou via financiamentos do BNDES, e que somente o capital privado não será suficiente para obras sem viabilidade de exploração por concessão. Ele também cita desafios fiscais e questões ambientais e energéticas que influenciam a capacidade de reação do país.
Efeitos da pandemia e desafios econômicos
A economista Carla Beni, da FGV, afirma que parte do quadro econômico ainda reflete efeitos da pandemia sobre empresas, governos e consumidores. Ela defende que os candidatos apresentem propostas realistas e cita medidas como aumento real do salário mínimo e reforço do SUS.
Carla Beni destaca a necessidade de investimentos em infraestrutura, de uma discussão sobre terras raras e de um papel ativo do Estado como indutor de investimentos e inovação. Segundo ela, o Estado assume riscos que o mercado privado não cobre e isso é central para o desenvolvimento de projetos com alto grau de incerteza.
Cultura
No campo da cultura, o desafio será ampliar o acesso a recursos para além dos grandes centros, mantendo mecanismos de financiamento que combinem incentivos fiscais e fomento direto. Dados do IBGE apontam que o setor movimenta cerca de R$ 400 bilhões por ano, o equivalente a aproximadamente 3% do PIB, e emprega quase 6 milhões de pessoas.
O consultor legislativo Renato Gilioli afirma que a política cultural passou por um processo de descentralização e que, pela primeira vez, passou a alcançar municípios pequenos e médios. Para ele, será necessário preservar mecanismos que permitam a estados e municípios manter políticas culturais em diferentes áreas artísticas; segundo Gilioli, cada R$ 1 gasto com cultura gera cerca de R$ 1,70 de retorno à economia.
Outras entrevistas
A série da Rádio Câmara também abordou temas como educação, segurança, saúde mental, agronegócio e meio ambiente; direitos das pessoas com deficiência, política externa e ciência e tecnologia; habitação, saneamento básico e esporte. As entrevistas reúnem análises sobre como o próximo governo e o NOVO Congresso poderão enfrentar restrições fiscais e priorizar investimentos.
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