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CCJ adia votação de PECs que preveem redução da maioridade penal de 18 para 16 anos

Redação
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CCJ adia votação de PECs que preveem redução da maioridade penal de 18 para 16 anos
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Comissão adia análise de propostas que alteram a idade de responsabilização penal.

19/05/2026 – 17:40

Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Comissão discute proposta de redução da maioridade penal

A Comissão de Constituição e justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou nesta terça-feira (18) a análise da admissibilidade de três propostas de emenda à Constituição (PECs) que reduzem a maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos. A decisão foi tomada antes do início da Ordem do Dia do Plenário, segundo o presidente da comissão, deputado Leur Lomanto Júnior (UNIÃO-BA), o que impediu a continuidade das votações.

Efeito prático e situação atual

Na prática, as propostas passam a prever que, após 16 anos de idade, qualquer pessoa responde criminalmente por seus atos, podendo cumprir pena no sistema prisional comum. Atualmente, jovens que cometem infrações graves cumprem medidas socioeducativas de internação por, no máximo, três anos.

Foco criminal

A proposta principal, PEC 32/15, do ex-deputado Gonzaga Patriota (PE), previa originalmente a plena maioridade civil e penal aos 16 anos. Isso incluiria direitos civis como casar, celebrar contratos e obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além de tornar o voto obrigatório aos 16 anos e reduzir a idade mínima para candidatura a cargos como vereador.

No entanto, o parecer lido nesta terça-feira pelo relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), propõe emendas que limitam o alcance da proposta, prevendo exclusivamente a punição criminal de jovens acima de 16 anos. Assis explicou que retirou a parte dos direitos civis para garantir que a PEC tratasse de apenas um assunto, evitando, segundo ele, “confusão jurídica”.

“Na forma original, a proposta abrange simultaneamente o regime de imputabilidade penal e o regime da capacidade civil, institutos que, embora compartilhem o critério etário, têm fundamentos, consequências e tradição normativa distintos”, disse o relator.

Outras propostas apensadas

Além da PEC 32/15, o relator recomenda a admissibilidade de duas outras PECs apensadas. A PEC 8/26, do Capitão Alden (PL-BA), sugere a redução da maioridade penal apenas em casos excepcionais, como crimes hediondos ou crueldade extrema, após avaliação técnica do jovem. A PEC 9/26, da deputada Julia Zanatta (PL-SC), propõe a redução geral para 16 anos em todos os crimes e estabelece que adolescentes de 12 a 16 anos também respondam criminalmente se cometerem crimes com violência, grave ameaça ou contra a vida.

Debate na comissão

O debate na comissão expôs opiniões divergentes sobre segurança pública. O deputado Mendonça Filho (PL-PE) defendeu a redução, afirmando que “é uma demanda de mais de 80% da população para crimes violentos”. A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) criticou a proposta, argumentando que apenas 8% dos atos de jovens são graves e que o sistema prisional comum PODE facilitar o recrutamento de adolescentes pelo crime organizado.

Como funciona hoje

Hoje, adolescentes que cometem atos infracionais cumprem medidas socioeducativas — e não penas do sistema prisional comum. Essas medidas estão previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e funcionam como ferramentas de responsabilização e reinserção social para jovens de 12 a 18 anos.

O ECA estabelece seis medidas principais, que progridem conforme a gravidade da conduta: advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade e liberdade assistida — executadas em meio aberto —, além dos regimes de semiliberdade e internação, este último restrito a crimes com violência ou reiteração grave.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Wilson Silveira

Assuntos nesse artigo:

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