Debate na Câmara dos Deputados reúne cientistas, representantes da ANVISA e do Ministério da saúde para discutir os próximos passos nos estudos sobre polilaminina.
No dia 17/06/2026 – 15:22, pesquisadores e deputados defenderam prioridade para os estudos clínicos sobre o uso da polilaminina no tratamento de lesão medular durante audiência das comissões de saúde e de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados. Representantes do Ministério da saúde e da ANVISA, no entanto, alertaram para a necessidade de cautela e de comprovação clínica antes da oferta ampla do tratamento.
Uso compassivo
A polilaminina é um medicamento experimental desenvolvido pela equipe da bióloga Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com financiamento do laboratório Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos. Em janeiro, a ANVISA autorizou a primeira fase de testes clínicos para avaliar segurança e eficácia.
A etapa inicial prevista envolve cinco voluntários, com idades entre 18 e 72 anos, com lesões completas da medula espinhal torácica ocorridas há menos de 72 horas e indicação cirúrgica. O estudo terá patrocínio da Cristália.
Enquanto o estudo formal não se inicia, pacientes têm buscado acesso por meio do uso compassivo, mecanismo da ANVISA que autoriza, de forma excepcional, medicamentos em fase de testes para pessoas com quadro grave e sem alternativas.
A pesquisadora Tatiana Sampaio relatou avanços observados no uso inicial da droga, mas disse que não há comprovação científica da eficácia. Ela afirmou que fala como cidadã e que, até o momento, o laboratório tem acesso a informações sobre 20 dos 80 pacientes tratados.
Rigor técnico
Claudiovsam Martins Alves de Sousa, especialista em regulação da ANVISA, explicou que o uso compassivo e o acesso expandido não configuram pesquisa clínica. Segundo ele, trata-se de um tratamento doado e não de um estudo com protocolo científico. A pesquisa autorizada pela ANVISA em janeiro ainda não foi iniciada, detalhou.
Cecília Menezes Farinasso, do Ministério da saúde, reforçou que é preciso comprovar segurança e eficácia antes de oferecer o tratamento à população. Ela lembrou que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de saúde (Conitec) exige evidências clínicas antes da incorporação ao SUS, e que, por lei, a Conitec não PODE avaliar tecnologias ainda consideradas experimentais pela ANVISA.
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) afirmou que a pesquisa é promissora em laboratório, mas que é necessário aguardar os testes clínicos. Ela destacou a necessidade do rigor técnico, dado que o tema envolve vidas.
Posição do laboratório e caráter dos estudos
Maria Francesca Riccio, gerente de pesquisa clínica da Cristália, destacou o caráter considerado inédito da liberação da fase inicial de testes da molécula no país. Ela afirmou que, historicamente, estudos dessa natureza são conduzidos internacionalmente e avaliados por agências regulatórias estrangeiras, e que a ANVISA teve papel pioneiro ao conceder anuência.
Financiamento
O deputado Átila Lira (PP-PI), autor do requerimento da audiência, ressaltou o papel do Legislativo nas regras de financiamento de pesquisas como a da polilaminina. Ele defendeu leis que desburocratizem a aprovação de financiamentos para pesquisa.
O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmou que investimento contínuo em ciência, tecnologia e inovação é essencial para obter respostas que possam transformar o futuro do país e da humanidade.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Geórgia Moraes
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