Modelo incorpora a participação da comunidade para antecipar riscos e acelerar ações de saúde pública

FOTO: Anne Karoline/ FVS-RCP
Depois dos resultados positivos obtidos em 2025 em Tefé, Tabatinga e Parintins, a Fundação de Vigilância em saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP oficializou, nesta terça-feira, em Tefé (a 575 quilômetros de Manaus), a Vigilância Baseada em Eventos Comunitários como estratégia estadual permanente para reduzir o tempo de resposta diante de possíveis riscos à saúde.
Nessa estratégia, a população não realiza uma notificação oficial, mas sinaliza situações que chamam atenção. Por exemplo, professores treinados podem perceber que um aluno apresenta sintomas gripais, como febre, tosse e mal-estar, e sinalizar a situação aos profissionais de saúde. A equipe técnica verifica a informação e, se necessário, realiza a notificação no sistema de saúde, evitando surtos ou o agravamento de doenças.
Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, a vigilância baseada em eventos amplia o olhar sobre os riscos à saúde ao considerar diferentes fontes de informação. “Diferentemente do modelo tradicional, essa abordagem não depende exclusivamente da notificação formal no sistema, mas também leva em conta outros canais, como a mídia, a própria comunidade, escolas e lideranças locais. Isso permite que a resposta seja mais oportuna e articulada, fortalecendo a prevenção e reduzindo impactos maiores”, destacou.
Na mesma linha, a secretária municipal de saúde de Tefé, Lecita Marreira, reforça que a integração entre estado, municípios e instituições parceiras marca o fortalecimento da vigilância em saúde no Amazonas.


FOTO: Anne Karoline/ FVS-RCP
“Durante o encontro, representantes da vigilância epidemiológica estadual, sob a coordenação da diretora Tatiana, além da Organização Pan-Americana da saúde (OPAS), da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e de municípios como Tabatinga, Parintins e Tefé participam da programação, compartilhando experiências exitosas na implementação da estratégia e fortalecendo a vigilância baseada em eventos no Estado.”
Para o consultor nacional da Organização Pan-Americana de saúde, Carlos Frank, a vigilância baseada em comunidades é um grande marco para a saúde pública brasileira.
“Essa junção de dados de qualidade é muito útil para os gestores da REDE pública na tomada de decisões. Tefé está dando ao Brasil um verdadeiro exemplo de como obter esses dados em tempo oportuno, para que a saúde tenha condições de reagir de forma rápida e eficaz”
Êxito na execução do projeto
Tefé foi o primeiro município a aderir ao projeto, e é importante destacar seu protagonismo na execução das estratégias de forma próspera e pioneira.
A principal frente da estratégia tem sido desenvolvida na comunidade escolar, onde professores, gestores e demais profissionais da educação recebem orientações para identificar sinais de alerta, como o aumento de casos de síndrome gripal.
As informações são registradas em formulário específico e encaminhadas à vigilância, que articula com a unidade básica de saúde do território o monitoramento e as intervenções necessárias.
Quando um sinal de alerta é identificado rapidamente, é possível intensificar medidas de higiene, orientar o afastamento temporário quando necessário, organizar uma comunicação clara com as famílias e, principalmente, evitar pânico desnecessário.
