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Escola Superior da Magistratura do Amazonas lança curso de vitaliciamento sobre direito ao cuidado e julgamento com perspectiva de gênero e raça

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Escola Superior da Magistratura do Amazonas lança curso de vitaliciamento sobre direito ao cuidado e julgamento com perspectiva de gênero e raça
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Esmam abre inscrições para capacitação direcionada a magistrados em processo de promoção e vitaliciamento, com base em decisões nacionais e internacionais.

A escola Superior da Magistratura do Amazonas (Esmam) lançou nesta terça-feira (22/9) o curso de vitaliciamento sobre Direito ao cuidado e julgamento com perspectiva de gênero e raça na prática judiciária. A capacitação é voltada exclusivamente a magistrados e magistradas em processo de promoção e vitaliciamento. As inscrições estarão abertas entre 19 a 30 de outubro, com número limitado de 40 vagas. As aulas serão ministradas na modalidade presencial, no período de 3 a 6 de novembro de 2026, totalizando uma carga horária de 20 horas-aula, divididas em cinco encontros de quatro horas cada.

Objetivo e base jurídica

A iniciativa busca instrumentalizar juízes e juízas para aplicar protocolos e entendimentos que considerem desigualdades históricas, conforme afirmou o diretor da Esmam, desembargador Flávio Humberto Pascarelli Lopes. Ele destacou que a magistratura deve compreender as assimetrias sociais para promover igualdade substancial e reforçar a confiança da população no Poder Judiciário.

Tecnicamente, a ementa do curso toma como referência a Opinião Consultiva nº 31/2025 da Corte Interamericana de direitos humanos e atende às diretrizes da Resolução nº 492 do Conselho Nacional de justiça (CNJ), que tornou obrigatória a adoção do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero no Judiciário brasileiro. O programa aborda o conceito do Direito ao Cuidado em suas três dimensões: o direito de ser cuidado, o direito de cuidar e o direito ao autocuidado.

Impacto prático nas áreas do direito

A formação enfatiza a transdisciplinaridade e a aplicação interseccional do raciocínio jurídico no cotidiano forense. Entre os temas previstos estão:

– Constitucional e Administrativo: o cuidado como vetor de interpretação para deveres estatais relativos à maternidade, igualdade material e direitos sociais.

– Família e ECA: foco na primeira infância e na definição de guarda, alimentos, partilha de bens e direito à educação.

– Cível e Previdenciário: ações indenizatórias por violência obstétrica, valoração da prova e concessão de benefícios previdenciários diante da vulnerabilidade familiar.

– Criminal, execução Penal e Infracional: aplicação de entendimentos dos tribunais superiores, incluindo o julgamento do HC 143.641/STF, políticas de desencarceramento para gestantes e mães, discussão sobre crimes raciais e remição de pena por cuidados maternos.

– Eleitoral e Trabalhista: mecanismos de proteção laboral e controle de cotas e financiamentos direcionados a candidaturas de mulheres e pessoas negras.

Corpo docente e coordenação

A capacitação será ministrada por professoras com atuação na magistratura do Amazonas e formação acadêmica na área:

– Dinah Câmara Fernandes: magistrada do Tribunal de justiça do Amazonas (TJAM), titular da 1.ª Vara de Dignidade Sexual de Crianças e Adolescentes da Comarca de Manaus e mestra em Direito, Estado e Constituição pela UnB.

– Juline Rossendy Rosa Neres: juíza titular da 3.ª Vara da Comarca de Manacapuru (AM), especialista em Direito Civil (Família e Sucessões) e mestra em Direito, Estado e Constituição pela UnB.

– Naia Moreira Yamamura: juíza titular da 3.ª Vara da Comarca de Itacoatiara (AM), vice-presidente da Associação dos Magistrados do Amazonas (Amazon) e mestra pela UnB, com atuação na Segunda Seção do STJ.

– Nayara de Lima Moreira Antunes: juíza titular na Vara de Garantias Penais e Inquéritos Policiais do Estado do Amazonas, ex-defensora pública, mestra em Direito pela UnB e especialista em Jurisdição Inovadora pela Enfam.

A coordenação pedagógica ficará sob responsabilidade de Mirian Falcão da Silveira Rolim, mestra em justiça Administrativa pela UFF e analista judiciária na especialidade de Pedagogia do TJAM.

As aulas e o conteúdo programático visam alinhar práticas locais às decisões da Corte IDH, do STF e do STJ, oferecendo ferramentas hermenêuticas para neutralizar estereótipos de gênero, raça e classe e prevenir a revitimização institucional.

As inscrições podem ser feitas diretamente pelo site da Esmam: esmam.tjam.jus.br/moodle_esmam. Para informações, a Assessoria de Comunicação Social do TJAM indica o e-mail divulgacao@tjam.jus.br e o telefone (92) 99316-0660.

Texto: Ramiro Neto
Arte: Vitor Mesquita
Revisão gramatical: Eliza Maria Luchini
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL / TJAM

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