Abertura marcou o início da temporada 2026 com mostras que abordam a identidade, território e questões contemporâneas


A reabertura da programação de exposições 2026 da Casa das artes, no Centro de Manaus, realizada na sexta-feira (20/03), reuniu artistas, curadores e público em uma noite dedicada à diversidade da produção visual amazonense. A mostra apresenta sete propostas artísticas e um projeto expositivo literário, ocupando diferentes espaços com obras que atravessam temas como pertencimento, memória, território, meio ambiente e questões sociais contemporâneas.
A programação segue aberta ao público até o mês de maio, com visitação de quarta a domingo, das 15h às 20h, com entrada gratuita. A mostra reafirma a Casa das artes como espaço de difusão cultural e de fortalecimento da produção artística contemporânea no Amazonas, reunindo diferentes vozes e perspectivas em um mesmo ambiente.
A exposição é apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e economia criativa, com o objetivo de valorizar as artes visuais e incentivar à produção local.
De acordo com o curador da Casa das artes, Cristóvão Coutinho, a proposta reafirma o espaço como um ambiente aberto à experimentação e à pluralidade de linguagens. “A Casa das artes é voltada para jovens artistas e para propostas que dialogam com o que entendemos hoje como artes visuais. Temos desenho, pintura, instalação e também experiências que ampliam esse conceito, com diferentes formas de construir arte”, destacou.
Na Sala 01, o artista Junio Gonçalves apresenta a exposição ‘Desenhar é pertencer – Um relato visual de autoconhecimento através da arte’, organizada em quatro atos que percorrem diferentes momentos de sua trajetória. A mostra reúne autorretratos, desenhos produzidos a partir de vivências pessoais e registros urbanos feitos em Manaus, especialmente a partir da prática do desenho in loco. A exposição também é um convite para que outras pessoas contem a sua história através da arte.
Na Sala 02, o Coletivo Casa Jabutt apresenta ‘Devagar y sempre: história da Casa Jabutt’, reunindo fotografias, objetos, figurinos e registros audiovisuais que contam a trajetória do grupo dentro da cena ballroom em Manaus. A exposição propõe uma imersão nesse universo, destacando vivências coletivas, performances e a construção de uma REDE de apoio entre seus integrantes. Para a curadora e integrante do coletivo, Mother Ponnan Jabutt, o projeto parte da ideia de família como eixo central. “A gente quis contar a história da casa enquanto família. A Jabutt é esse espaço de acolhimento, onde a gente constrói vínculos e identidade. A exposição também mostra um pouco do que é a cultura “ballroom” (movimento que enaltece pessoas trans, pretas e travestis a partir de batalhas de dança e performances) para quem ainda não conhece”, explicou.
A Sala 03 apresenta uma proposta coletiva que reúne diferentes linguagens e investigações artísticas, articulando arte, ciência e tecnologia. O espaço abriga “Legado Boechat – o código da vida”, de Ubirajara Boechat, com curadoria de Ângelo Boechat, além de obras da artista Olivia Boechat, compondo um ambiente expositivo que dialoga com questões ambientais e com a compreensão da Amazônia a partir de múltiplas perspectivas. “A gente apresenta aqui uma proposta que conecta arte, ciência e tecnologia, buscando despertar uma nova consciência sobre a Amazônia e sobre como ela funciona”, destacou o curador Ângelo Boechat.
Na Sala 04, o espaço “Con.tempo.rane.idades” funciona como um laboratório criativo que reúne quatro jovens artistas da geração Z, com propostas que dialogam com o tempo presente. As obras abordam temas como saúde mental, pressões sociais, identidade e desigualdade, por meio de diferentes linguagens e suportes.


O artista Nico apresenta uma obra centrada na experiência da autoimagem e da comparação social. “É sobre essa pressão de se encaixar, de mudar para agradar. Eu espero que as pessoas se reconheçam um pouco nisso e reflitam sobre essas cobranças”, afirmou.
Já o artista Alvo propõe uma experiência imersiva que relaciona arte e reflexão social. “A proposta é causar incômodo, fazer com que o público reflita sobre questões que muitas vezes a gente ignora no cotidiano”, explicou.
No Espaço Parede, o artista Ney Metal apresenta a exposição “O Olhar do Viajante”, composta por desenhos em preto e branco que registram sua observação direta, tanto do interior quanto da capital amazonense. “Cada desenho tem uma crônica, um relato das minhas passagens pelos lugares. Eu trago paisagens, o cotidiano dos ribeirinhos e também o urbanismo de Manaus. A ideia é mostrar que o desenho PODE contar histórias e registrar memórias”, explicou o artista. A exposição também evidencia o processo artesanal do desenho como forma de documentação e expressão artística.
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