visita técnica do Ministério da saúde avaliou adaptações do Caps AD III para atendimento à população indígena em Manaus.
O Ministério da saúde realizou, nesta quarta-feira, 26/8, uma visita ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e drogas Caps AD III Dr. Afrânio Soares, no bairro Aleixo, zona Centro-Sul de Manaus, para conhecer ações da Prefeitura, por meio da Semsa, voltadas à saúde mental indígena. O consultor técnico do Departamento de saúde Mental Álcool e Outras drogas do MS, Henrique Galrão, acompanhou as melhorias financiadas pelo IAE-PI para aprimorar a atenção a usuários indígenas.
Visita e objetivos
Conforme a Prefeitura, a avaliação do representante do Ministério da saúde teve como foco verificar as adaptações realizadas pela gestão municipal para ampliar o acesso e o vínculo entre usuários indígenas e a equipe de saúde. A chefe da Divisão de REDE de Atenção Psicossocial, Jeane leite, informou que o incentivo federal permitiu, entre outras ações, a oferta de intérprete para povos aldeados que não falam português e a oferta de refeições alinhadas aos costumes de diferentes etnias.
Jeane destacou que essas mudanças favorecem o vínculo entre o usuário e os profissionais de saúde, elemento considerado crucial para o processo terapêutico. Segundo ela, a visita de consultores do MS também serve para avaliar as ações implementadas e sugerir novas iniciativas a partir da experiência em outras unidades e estados.
Adaptações no atendimento e estrutura do Caps
O diretor do Caps AD III Dr. Afrânio Soares, Ernandes Matias da Silva, detalhou que a unidade oferece atendimento preferencial a usuários indígenas ao lado de outros públicos prioritários. A unidade tem 50 pacientes com prontuário cadastrado e realiza de oito a dez atendimentos mensais para esse grupo.
Para além do atendimento com profissionais de saúde, o Caps dispõe de nove leitos para acolhimento dentro de processos terapêuticos de desintoxicação e de quebra de compulsão. Ernandes relatou que a unidade adotou elementos culturais na ambiência, oferece alimentos mais compatíveis com a dieta indígena, como peixes, frutas e verduras, mantém redário no alojamento e assegura o direito a intérprete e à valorização da medicina indígena nos atendimentos.
O diretor acrescentou que, durante acolhimento 24 horas, os usuários indígenas têm direito a um acompanhante em tempo integral.
Articulação entre esferas e avaliação das ações
A visita teve também a participação do gerente de Raps estadual, David Conceição, que acompanhou Henrique Galrão em visita ao Caps Dr. Silvério Tundis, da SES-AM, na terça-feira, 25/8. David afirmou que a ação reforça a articulação entre Semsa, MS e SES-AM para o fortalecimento da saúde mental na capital e no estado. Ele informou que foi possível conhecer a estrutura, o acolhimento e os serviços e que os resultados da avaliação foram positivos, com orientações e propostas de melhorias.
Incentivo federal IAE-PI
O IAE-PI é um recurso financeiro do governo federal destinado a estabelecimentos de média e alta complexidade que integram a REDE de Referência para a População Indígena. O incentivo tem como objetivo qualificar o atendimento a usuários indígenas, promovendo acolhimento diferenciado e adaptações que considerem especificidades culturais e necessidades dessa população.
O Caps AD III Dr. Afrânio Soares é um dos cinco centros gerenciados pela Semsa para atendimento em saúde mental em Manaus. Junto ao Caps Dr. Silvério Tundis, da REDE estadual, esses estabelecimentos ofertam atenção psicossocial a pessoas em situação de sofrimento psíquico grave e persistente ou decorrente do uso abusivo de crack, álcool e outras drogas.
Texto – Jony Clay Borges / Semsa
Fotos – Márcio Gleyson / Semsa
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