
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de educação (Semed), realizou, nesta quinta-feira, 23/4, o “Dia D – Interculturalidade e Autodeclaração Indígena”. A ação ocorreu na escola municipal professor Paulo Cesar da Silva Nonato, localizada na comunidade Nova Esperança, zona ribeirinha da capital.A iniciativa é desenvolvida desde 2024 pela Gerência de educação Escolar Indígena (Geei), e acontece em todas as unidades da REDE municipal de ensino, com o objetivo de fortalecer a valorização das culturas indígenas no ambiente escolar. Antes da implementação do projeto, havia o registro de 529 estudantes autodeclarados indígenas na REDE municipal. Após a mobilização, esse número aumentou para 1.254 estudantes.O “Dia D – Interculturalidade e Autodeclaração Indígena” busca promover ações interculturais nas escolas municipais, incentivando o diálogo, a troca de experiências e a reflexão sobre as culturas indígenas. A proposta também proporciona a estudantes, professores e à comunidade escolar a oportunidade de conhecer e interagir com diferentes povos indígenas, especialmente das comunidades próximas às unidades de ensino, além de fortalecer o processo de autodeclaração.O diretor do Departamento de Apoio à Gestão Escolar (Dage), Luiz Oliveira, ressaltou que essa atividade promove o respeito às identidades culturais.“Quando falamos de interculturalidade e autodeclaração indígena, tratamos de respeito. Não se trata de inserir esses povos em uma cultura majoritária, mas de reconhecer e valorizar suas origens. É importante que o aluno se autoidentifique e se sinta parte da sociedade, enquanto a sociedade deve ouvir, respeitar e aceitar essa identidade. Esse avanço contribui para que o estudante se sinta mais seguro para se autodeclarar”, enfatizou.De acordo com a gerente da Geei, Cila Mariá Fonseca, a autodeclaração indígena é fundamental para o reconhecimento dos estudantes na REDE municipal, pois garante que estes tenham seus direitos respeitados.“Ao se autodeclarar e manter o cadastro atualizado, o aluno assegura sua identificação na REDE e o acesso a direitos. Esta já é a terceira edição do Dia D, que começa agora, mas se estende ao longo de 2026, permitindo a atualização dos dados e ajudando a Semed a identificar onde estão os estudantes indígenas”, destacou.A moradora da comunidade Brenda Adria Souza, mãe de duas alunas do 1º e do 9º ano, destacou a importância da ação para sua família.Sobre o Dia D da Autodeclaração IndígenaEm abril de 2024, foi realizado o “Dia D da Autodeclaração Indígena”, uma iniciativa que marcou o mês de celebração do Dia dos Povos Indígenas. Em 2025, o evento passou a se chamar “Dia D – Interculturalidade e Autodeclaração Indígena nas escolas da REDE municipal de ensino”.Ao longo desses dois anos, a ação teve como principal objetivo incentivar pais e/ou responsáveis a autodeclararem os estudantes indígenas de seu núcleo familiar, contribuindo, assim, para a valorização da diversidade cultural, o combate ao racismo estrutural e a promoção de um ambiente escolar mais inclusivo e acolhedor.A iniciativa também possibilitou a visualização de um panorama do número de estudantes indígenas matriculados na REDE municipal de ensino, além da criação de um banco de dados essencial para o planejamento de futuras ações voltadas às políticas públicas para os povos originários. Entre essas ações, destaca-se o acompanhamento do rendimento escolar desses estudantes pela Gerência de educação Escolar Indígena. — — — Texto – Jorgiane Castinares/Semed Fotos – Divulgação/Semed
